terça-feira, 11 de janeiro de 2011

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Pensamento Feminino (ainda de Natal)...


Descobri que hoje, na Irlanda, se celebra o Pequeno Natal (em irlandês, Nollaig Bheag).
Razões históricas e fundamentos à parte, o que realmente me interessa é que este Pequeno Natal é também conhecido pelo Natal das Mulheres. Nada do másculo Dia de Reis! Uma nação resolveu destituir o poder dos homens e abrir caminho ao domínio igualitário das senhoras. Sublinham a fluorescente a importância do sexo feminino e da igualdade de direitos. Gosto.
Neste dia as mulheres deixam todas as tarefas domésticas a cargo dos seus respectivos, vão passear, sair com as mães, irmãs, primas, amigas ou, simplesmente, sozinhas, celebrando assim o facto de serem MULHERES.
Assim sendo cá em casa hoje é Irlanda. 
Um país é, afinal, onde uma mulher quiser!... 


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Post scriptum...



Só para dizer que esta é a única música da Katy Perry que realmente ouço com prazer. Tanto a letra da música como o videoclipe conseguem emocionar-me...
A música é comercial? É. Tem uma grande melodia? Não. Gosto? Muito. 
:)

A realidade fica-vos tão bem...


O velho ditado “nem tudo o que luz é ouro” aplica-se inúmeras vezes a mil e uma situações do nosso quotidiano. Ontem, a notícia de que uma meteórica estrela do panorama musical internacional tinha perdido o brilho, foi diz-que-diz-que em todos os recantos, até os mais recônditos, da internet. Aqui d’el Rey (!), que a cantora Katy Perry é, simplesmente, humana. A celebridade internacional, afinal, não acorda maquilhada e com rosto de boneca de porcelana vintage, ao lado do seu belíssimo e, também, famoso marido.
Katy Perry canta comercialmente e encanta, particularmente, pelo seu aspecto. Toda ela é um produto fabricado e muito bem conseguido da onda retro que nos invadiu nos últimos tempos. Eu pessoalmente gosto muito, não tanto das cantigas, mas do resultado de toda aquela imagem que parece esculpida em irreverência de bom gosto.
Todavia, como é óbvio, tenho a consciência que, se passar pela senhora na rua e esta estiver sem produção, a confundirei com qualquer outro “reles” mortal. Deduzi que quase toda a gente teria a mesma percepção. Ohhh ideias pré-feitas-maravilha, mania a minha de adivinhar a raça humana pela minha bitola!
A notícia estourou como uma bomba em facebooks, twitters, myspaces e blogosferas: Katy Perry foi fotografada pelo marido, ao acordar, e afinal é feia. E até faz caretas desagradáveis “and soi on and soi on”. Li de tudo, e quase tudo era pouco abonatório à menina que canta mas, pelos vistos, já não encanta. Desencantou sobretudo a classe humana portadora de pénis e, assumidamente, heterossexual, que lhe teceu comentários muito pouco elogiosos. Hello, hello rapaziada, os sonhos são bonitos, mas nada como viver com os pés na terra.
Olhem para a mulher que acorda ao vosso lado, companheira de uma vida ou de uma noite só, e admirem o facto de ser natural. Russel Brand, o marido bem humorado da cantora, gritou ao mundo isso mesmo: estou casado com uma pessoa normal, que acorda sem belezas falsas, que faz carantonhas estranhas e que eu amo assim mesmo! Para mim não há prova de amor maior. O senhor é brincalhão, com um sentido de humor muito peculiar (sim, admito, gosto dele, gosto muito) e provavelmente não pensou na repercussão que teria a dita imagem nesta sociedade estereotipada em que vivemos. Consta que a fotografia foi retirada pouco tempo depois do Twitter, mas já tarde demais para que esta se divulgasse nos media. Não sabemos se a Katy usou de alguma colher-de-pau como reprimenda, se fez greve de sexo por ter sido assim exposta ou se, como teria acontecido comigo, não se importou nada, até achou piada, mas as obrigações contratuais impediram a continuação da reprodução, voluntária, de tal imagem. Sim, em segundos e num clique, todo um trabalho de meses (anos) em torno da imagem da artista, foi desconstruído. Por mim, ainda bem.
Eu deste lado, no alto da minha insignificância mediática, sendo uma mera desconhecida (amén!) que pode andar à vontade na rua, continuarei a publicar no facebook algumas fotografias minhas nas quais estou “feia”, a brincar e a rir às gargalhadas ou, simplesmente, a torcer o nariz e a distorcer a minha cara.
Porquê? Porque sou eu a 100%... e a realidade fica-me (tão) bem.

 (fotografia retirada, excepcionalmente, do Google, e não do deviantArt)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Sobre o mais-vale-parecer-do-que-ser-a-quanto-obrigas!…

A propósito do meu carro novo, verdinho, verdinho, cor lemongrass feminino, uma amiga (daquelas com “a” pequeno) comentou que agora estou mais fashion, mais in, com mais estilo, mais tcharraaaaaannn, em suma, mais interessante. Sim, consta que ostentar um objecto novo de pequeno-grande-porte me torna mais apetecível e com uma aura mais desejável. Diz que mais-vale-parecer-do-que-ser e que, apesar de ter os bolsos vazios e todas as minhas poupanças se terem esvaído naquele stand de automóveis, sou mais bonita e cobiçável assim. Sim, comprar um carro “em condições” porque preciso de andar na estrada diariamente em segurança e que é condição sine qua non para poder voltar à labuta, torna-me mais bela, aprazível e bem sucedida.
Bullshit. Treta. Lérias sociais que me dão urticária mental.
A amiga em questão poderia estar a brincar, mas não estava. Convicta do que dizia e segura de que me tecia o maior dos elogios, dissertava sobre as maravilhas do meu “sapinho” lemongrass. Entrei em modo de resposta automática, enquanto ouvia o seu discurso vazio e me transpunha para tudo o que está para lá disso, para o cerne da questão.
Respondia:
- “Sim?!”
- “Hummm…”
- “Hã hã…”
- “Claro.”
- “É.”
Respostas curtas e concisas para o tanto que me apetecia desatinar. Já há muito que desisti de combater este “vazio intelectual”. Para mim é falta de inteligência emocional alguém orientar a sua vida somente segundo os parâmetros do que fica socialmente bem e é sinónimo comunitário de sucesso.
Em simultâneo ao bendizer do meu carro novo, maldizia a colega de trabalho. “Porque também tem um carro ‘xpto’, mas mais valia andar a pé que fazer aquelas figurinhas ao volante!”. Não gosto. Não gosto mesmo. Não suporto ouvir falar mal de algo ou de alguém gratuitamente, só porque a dor de cotovelo, ou a maldade, grita alto. Nestes momentos gostaria que certas mulheres tivessem um pénis… não que fossem homens, mas que tivessem um que as satisfizesse e colocasse um sorriso na cara. Uma alma consolada faz milagres. Talvez a pessoa que é amada saiba amar melhor, por consequência. Ou talvez quem assim reage até seja muito amada, mas tem um qualquer defeito de fabrico evolutivo que impede o seu espírito de ir mais longe.
Neste momento paro, escuto e olho… sinto alguma pena dessas pessoas que, não sendo propositadamente ruins na sua maledicência, são como ervas daninhas, que se espalham em muitas existências e ensombram mordazmente vidas alheias. Paro e olho para mim mesma, sabendo que, por vezes, já me deixei contaminar por esse tipo de veneno e deixei que o “meu jardim” ficasse igualmente vil. Leio-me em voz alta, escuto-me e decoro aquilo que considero ser o certo. É tão difícil mantermos a personalidade perante certos ataques externos, perante o mais-vale-parecer-do-que-ser-a-quanto-obrigas! Olho para a futilidade associada ao conceito e, curiosamente, até me parece atraente. Mentalizo as minhas convicções e passo ao largo, não sem antes olhar bem e sentir essa realidade, que na minha essência não encaixa. Experimentar sabores alheios e agridoces, por vezes, até sabe bem.
No entanto, sem hipocrisias: adoro o meu carro cor lemongrass feminino. Não porque me fica bem, mas porque sim. Porque gosto. Melhor que essa coloração só se fosse roxo, pintalgado aqui e ali de violeta. Isso sim, seria perfeito. Gosto ainda mais de estar cheio de compartimentos “secretos”, alguns deles onde cabem na perfeição dois ou três pares extra de sapatos, que poderão ser úteis conforme as vontades do momento. E ficam ali escondidinhos, num lugar que só eu vejo e sei. Feminilidade vã, ao rubro. Para ser aquele exemplar irrepreensível, daquele carro com que sempre sonhei, poderia ter um estojo de maquilhagem básico incorporado e, já agora, estacionar sozinho entre lugares apertados. Adoro conduzir, detesto estacionar. E voilá! Um quatro rodas de sonho, porque eu assim o dito e não porque alguém mo diz. Aquele objecto que, para além de útil (imprescindível, diria eu), me faz realmente feliz, em vez de dar a ideia de que tenho tudo para o ser.
Porque, afinal, mais-vale-ser-do-que-parecer.