O velho ditado “nem tudo o que luz é ouro” aplica-se inúmeras vezes a mil e uma situações do nosso quotidiano. Ontem, a notícia de que uma meteórica estrela do panorama musical internacional tinha perdido o brilho, foi diz-que-diz-que em todos os recantos, até os mais recônditos, da internet. Aqui d’el Rey (!), que a cantora Katy Perry é, simplesmente, humana. A celebridade internacional, afinal, não acorda maquilhada e com rosto de boneca de porcelana vintage, ao lado do seu belíssimo e, também, famoso marido.
Katy Perry canta comercialmente e encanta, particularmente, pelo seu aspecto. Toda ela é um produto fabricado e muito bem conseguido da onda retro que nos invadiu nos últimos tempos. Eu pessoalmente gosto muito, não tanto das cantigas, mas do resultado de toda aquela imagem que parece esculpida em irreverência de bom gosto.
Todavia, como é óbvio, tenho a consciência que, se passar pela senhora na rua e esta estiver sem produção, a confundirei com qualquer outro “reles” mortal. Deduzi que quase toda a gente teria a mesma percepção. Ohhh ideias pré-feitas-maravilha, mania a minha de adivinhar a raça humana pela minha bitola!
A notícia estourou como uma bomba em facebooks, twitters, myspaces e blogosferas: Katy Perry foi fotografada pelo marido, ao acordar, e afinal é feia. E até faz caretas desagradáveis “and soi on and soi on”. Li de tudo, e quase tudo era pouco abonatório à menina que canta mas, pelos vistos, já não encanta. Desencantou sobretudo a classe humana portadora de pénis e, assumidamente, heterossexual, que lhe teceu comentários muito pouco elogiosos. Hello, hello rapaziada, os sonhos são bonitos, mas nada como viver com os pés na terra.
Olhem para a mulher que acorda ao vosso lado, companheira de uma vida ou de uma noite só, e admirem o facto de ser natural. Russel Brand, o marido bem humorado da cantora, gritou ao mundo isso mesmo: estou casado com uma pessoa normal, que acorda sem belezas falsas, que faz carantonhas estranhas e que eu amo assim mesmo! Para mim não há prova de amor maior. O senhor é brincalhão, com um sentido de humor muito peculiar (sim, admito, gosto dele, gosto muito) e provavelmente não pensou na repercussão que teria a dita imagem nesta sociedade estereotipada em que vivemos. Consta que a fotografia foi retirada pouco tempo depois do Twitter, mas já tarde demais para que esta se divulgasse nos media. Não sabemos se a Katy usou de alguma colher-de-pau como reprimenda, se fez greve de sexo por ter sido assim exposta ou se, como teria acontecido comigo, não se importou nada, até achou piada, mas as obrigações contratuais impediram a continuação da reprodução, voluntária, de tal imagem. Sim, em segundos e num clique, todo um trabalho de meses (anos) em torno da imagem da artista, foi desconstruído. Por mim, ainda bem.
Eu deste lado, no alto da minha insignificância mediática, sendo uma mera desconhecida (amén!) que pode andar à vontade na rua, continuarei a publicar no facebook algumas fotografias minhas nas quais estou “feia”, a brincar e a rir às gargalhadas ou, simplesmente, a torcer o nariz e a distorcer a minha cara.
Porquê? Porque sou eu a 100%... e a realidade fica-me (tão) bem.
(fotografia retirada, excepcionalmente, do Google, e não do deviantArt)


Tinha visto essa foto e até achei que tenho amigas, que visto que não se produzem todos os dias, até são parecidas com ela. No sentido de que, ha pessoas normais em todos nos. E não faz com que seja melhor ou pior cantora.
ResponderEliminarQue tal falarmos agora do Russell, hein? ;)
O Russel... aiii o Russel. Amanhã disserto sobre ele.
ResponderEliminar(inspira, expira! eheheheh)
eu nao a achei assim tao feia, mas a expressão realmente tb nao a favorece. so what?? é como dizes, ela não acorda produzida...como todas nós, afinal!
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