segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Sobre o mais-vale-parecer-do-que-ser-a-quanto-obrigas!…

A propósito do meu carro novo, verdinho, verdinho, cor lemongrass feminino, uma amiga (daquelas com “a” pequeno) comentou que agora estou mais fashion, mais in, com mais estilo, mais tcharraaaaaannn, em suma, mais interessante. Sim, consta que ostentar um objecto novo de pequeno-grande-porte me torna mais apetecível e com uma aura mais desejável. Diz que mais-vale-parecer-do-que-ser e que, apesar de ter os bolsos vazios e todas as minhas poupanças se terem esvaído naquele stand de automóveis, sou mais bonita e cobiçável assim. Sim, comprar um carro “em condições” porque preciso de andar na estrada diariamente em segurança e que é condição sine qua non para poder voltar à labuta, torna-me mais bela, aprazível e bem sucedida.
Bullshit. Treta. Lérias sociais que me dão urticária mental.
A amiga em questão poderia estar a brincar, mas não estava. Convicta do que dizia e segura de que me tecia o maior dos elogios, dissertava sobre as maravilhas do meu “sapinho” lemongrass. Entrei em modo de resposta automática, enquanto ouvia o seu discurso vazio e me transpunha para tudo o que está para lá disso, para o cerne da questão.
Respondia:
- “Sim?!”
- “Hummm…”
- “Hã hã…”
- “Claro.”
- “É.”
Respostas curtas e concisas para o tanto que me apetecia desatinar. Já há muito que desisti de combater este “vazio intelectual”. Para mim é falta de inteligência emocional alguém orientar a sua vida somente segundo os parâmetros do que fica socialmente bem e é sinónimo comunitário de sucesso.
Em simultâneo ao bendizer do meu carro novo, maldizia a colega de trabalho. “Porque também tem um carro ‘xpto’, mas mais valia andar a pé que fazer aquelas figurinhas ao volante!”. Não gosto. Não gosto mesmo. Não suporto ouvir falar mal de algo ou de alguém gratuitamente, só porque a dor de cotovelo, ou a maldade, grita alto. Nestes momentos gostaria que certas mulheres tivessem um pénis… não que fossem homens, mas que tivessem um que as satisfizesse e colocasse um sorriso na cara. Uma alma consolada faz milagres. Talvez a pessoa que é amada saiba amar melhor, por consequência. Ou talvez quem assim reage até seja muito amada, mas tem um qualquer defeito de fabrico evolutivo que impede o seu espírito de ir mais longe.
Neste momento paro, escuto e olho… sinto alguma pena dessas pessoas que, não sendo propositadamente ruins na sua maledicência, são como ervas daninhas, que se espalham em muitas existências e ensombram mordazmente vidas alheias. Paro e olho para mim mesma, sabendo que, por vezes, já me deixei contaminar por esse tipo de veneno e deixei que o “meu jardim” ficasse igualmente vil. Leio-me em voz alta, escuto-me e decoro aquilo que considero ser o certo. É tão difícil mantermos a personalidade perante certos ataques externos, perante o mais-vale-parecer-do-que-ser-a-quanto-obrigas! Olho para a futilidade associada ao conceito e, curiosamente, até me parece atraente. Mentalizo as minhas convicções e passo ao largo, não sem antes olhar bem e sentir essa realidade, que na minha essência não encaixa. Experimentar sabores alheios e agridoces, por vezes, até sabe bem.
No entanto, sem hipocrisias: adoro o meu carro cor lemongrass feminino. Não porque me fica bem, mas porque sim. Porque gosto. Melhor que essa coloração só se fosse roxo, pintalgado aqui e ali de violeta. Isso sim, seria perfeito. Gosto ainda mais de estar cheio de compartimentos “secretos”, alguns deles onde cabem na perfeição dois ou três pares extra de sapatos, que poderão ser úteis conforme as vontades do momento. E ficam ali escondidinhos, num lugar que só eu vejo e sei. Feminilidade vã, ao rubro. Para ser aquele exemplar irrepreensível, daquele carro com que sempre sonhei, poderia ter um estojo de maquilhagem básico incorporado e, já agora, estacionar sozinho entre lugares apertados. Adoro conduzir, detesto estacionar. E voilá! Um quatro rodas de sonho, porque eu assim o dito e não porque alguém mo diz. Aquele objecto que, para além de útil (imprescindível, diria eu), me faz realmente feliz, em vez de dar a ideia de que tenho tudo para o ser.
Porque, afinal, mais-vale-ser-do-que-parecer.


3 comentários:

  1. pobres daqueles k veem apenas o k temos e nao o k somos...enfim! :S

    ja te disse k adoro verde?! :D tenho a certeza k o teu bolinhas é lindo e te assenta bem ;)

    bjs*

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  2. OMG! Apenas serviu para continuar a ser uma "amiga" com a ainda mais pequeno...
    Jocas verduscas ;)

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  3. É mesmo Anas (as duas!)... (in)felizmente é fácil, com o passar do tempo, ver o "a" da amizade a encolher. É bem mais frequente do que ver o mesmo aumentar e se tornar um "A" grande.
    Beijos****

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